Querer tudo e não ter nada. Esse parece que foi o planejamento do Steelers pra 2026. A própria contratação do Mike McCarthy foi uma amostra de que queremos olhar para o futuro, mas com os pés bem fincados no presente.
E a sua contratação dividiu a torcida. De um lado, um discurso: um cara de Pittsburgh, torcedor do time, que desenvolveu bons QBs, tem bom relacionamento com Aaron Rodgers, vai melhorar o ataque… Do outro: dinossauro da bola oval, um Mike Tomlin branco, outro que não ganha jogos de playoffs…
Já a direção dizia: estamos montando o futuro! Mas também queremos ganhar agora.
E, em 2 semanas, isso tem dado certo?
Não sabemos em que momento McCarthy ganhou o emprego durante a entrevista, mas certamente elogiar os jovens talentos do time, conhecer os jogadores e seu histórico com QBs pesaram. McCarthy montou excelentes ataques em torno de QBs talentosos, alguns deles desenvolvidos pelo próprio treinador.
Mas o que ele encontrou no ataque do Steelers?
Um QB que ele conhece bem, mas que beira os 43 anos e não voltará no ano que vem. Uma linha ofensiva jovem, que precisa de tempo e coesão; um corpo de RBs decente; uma excelente dupla de TEs; WRs altos e fortes. E, de novo, um QB de 43 anos.

Prega-se uma mudança de identidade, mas as peças são as mesma há, pelo menos, duas temporadas. A pré-temporada mostrou que o olhar para o futuro colocou o foco em dois QBs jovens. O jogo terrestre ficou de lado para “desenvolver” essas duas peças, que não verão o campo este ano. A confiança em um quarteback de 43 anos comeca a ser dúbia, porque a OL foi toda bagunçada pensando no futuro.
E o presente?
Bem, em 2 jogos o ataque soma 10 pontos.
No ano passado, o Steelers terminou como o 17º melhor ataque, com média de 22,5 pontos por jogo. A ideia parecia ser confiar nos jovens jogadores e fazer do QB uma peça complementar do ataque: aquele que toma as melhores decisões e não necessariamente o “herói” do time.
McCarthy trouxe consigo o discurso de passar a bola, de colocar mais recebedores em campo, mas o quarteback, que seria a estrela do time, não é o mesmo que ele treinou há 15 anos atrás.
Nesta semana, McCarthy assumiu que precisa rever esse conceito. Ao menos, um ponto positivo. Mas o que fica cada dia mais claro é que não dá para pensar no futuro prendendo o ataque àquilo que um QB de 43 anos quer fazer.
Os treinamentos precisam priorizar a força do elenco: uma OL que é melhor para o jogo terrestre do que para o jogo aéreo, uma boa dupla de RBs, TEs como parte importante do ataque e recebedores focados em gerar jardas após a recepção.
Fato é que até dá para olhar para o futuro, mas não através dos olhos de um QB que sequer estará aqui no ano que vem.
Ou o Steelers escolhe ganhar agora com Rodgers, o que é extremamente improvável e difícil, ou escolhe se quer montar uma base para o futuro.
Os dois ao mesmo tempo, pelo menos em duas semanas, se mostram impossíveis.







