Após anos acompanhando futebol americano, especialmente o Steelers, foi ficando cada vez mais evidente que franquias com bons donos têm uma chance de sucesso muito maior, mesmo sem entrar em campo, realizar treinamentos ou, em muitos casos, fazer as escolhas de draft.
E, quando falamos de grandes donos da história da NFL, é impossível não citar o lendário Dan Rooney, um dos maiores proprietários da história da liga e que liderou o Steelers em diferentes funções ao longo dos anos. Muitas pessoas olham para os seis Super Bowls e pensam que o Steelers é uma franquia estável e vitoriosa, de certa forma, isso não deixa de ser verdade. Porém, antes de assumir o cargo de general manager em 1969, a franquia nunca havia vencido um jogo de playoffs e era um mero figurante na liga. Com sua chegada, vieram também Chuck Noll e todas as outras estrelas que marcaram a dinastia dos anos 70.
Foi Dan Rooney o principal responsável por transformar o Steelers em um exemplo de estabilidade e excelência. Ele teve a coragem de manter treinadores quando outros proprietários os demitiriam após uma temporada ruim. Foi assim com Chuck Noll, que começou sua trajetória com campanhas desastrosas antes de construir a dinastia dos anos 70, além de saber a hora certa de seguir em frente, apostando em treinadores novos e promissores para uma competitividade a longo prazo, como na contratação de Bill Cowher e, mais tarde, de Mike Tomlin.

Muito se deve ao fato de ele entender que vencer não é apenas ter talento, mas também é ter uma cultura forte, algo que a franquia parece ter abandonado nos últimos anos. Na ‘Era Dan Rooney’ não existiam decisões impulsivas, não existia desespero e não havia a obsessão por agradar manchetes, nem o medo de contrariar treinadores, como quando ele insistiu em draftar o jovem quarterback Ben Roethlisberger em 2004, enquanto o head coach Bill Cowher preferia um jogador de linha ofensiva.
E há um fator curioso que certamente não é coincidência: desde sua morte, em 2017, o Steelers nunca mais venceu um jogo de playoffs, presos em um limbo de mediocridade e conformismo.

É impossível não se perguntar se Dan Rooney permitiria que a franquia permanecesse nesse estado por tantos anos. Provavelmente, a resposta seja não, pois a capacidade de reconhecer problemas antes que eles se tornassem permanentes e de buscar uma cultura vencedora sempre foram pilares do seu trabalho, algo que não vemos em seu filho, Art Rooney II.
O Steelers existia antes de Dan Rooney, e permanece após sua morte, porém, a franquia que aprendemos a amar foi construída por ele. E, olhando para os últimos anos, fica cada vez mais evidente o tamanho da falta que ele faz.







