Chegado o ano novo da NFL, com a abertura da free agency e o início dos preparativos para mais um draft, a gente sempre quer relembrar um pouco do passado e tentar entender como será daqui para frente.
Provavelmente você não deve saber disso, mas no dia 12 de março o FB/TE/ST Connor Heyward deixou o Pittsburgh Steelers. Tá, mas e daí, alguém tá preocupado com isso???
Não!! Mas, o que você provavelmente também não sabe é que ele havia sido uma das últimas picks de draft feitas por Kevin Colbert, nosso antigo GM e membro de longa data na gerência do Steelers.
O que eu também duvido que você saiba, é que dos últimos cinco drafts (2018-2022) gerenciados por Kevin Colbert, 39 jogadores foram draftados pelo Pittsburgh Steelers e apenas três jogadores ainda permanecem no time.
A Destruição das Trincheiras:
O maior pecado que você pode atribuir a um GM do Pittsburgh Steelers é negligenciar a Linha Ofensiva, porra é o nosso DNA! É a base do jogo, é a base onde se construiu o legado do Steelers.
Colbert, em um delírio de autossuficiência, decidiu que poderia substituir Pro Bowlers como Maurkice Pouncey e David DeCastro com “restos” de rodadas baixas e apostas, literalmente apostas…
Kendrick Green (Pick 87 – 3ª rd 2021), como substituto de um dos maiores jogadores da história da liga na posição, Maurkice Pouncey, foi um tiro de um cego no escuro. Um jogador sem tamanho, sem alavancagem e sem a menor capacidade de ancorar uma ofensiva.
Colbert achou que era mais esperto que o resto da NFL ao draftar um Center que não sabia ser Center, no último ano da carreira de Big Ben, qual o mesmo disse recentemente: “eu consegui um Center que nunca tinha jogado como Center no meu último ano. É incrível”.
Em resumo, uma pick queimada por Colbert que jogou apenas 15 partidas pelo Steelers, todas em 2021 e nunca mais atuou pela equipe.
Chukwuma Okorafor (Pick 92 – 3ª rd 2018), draftado como um projeto de desenvolvimento, acabou se tornando titular por falta de opção melhor, não por seus méritos. Sempre teve dificuldades com o pass set contra defensores explosivos e, ao longo dos anos, tornou-se um dos jogadores mais penalizados e inconsistentes do lado direito da linha.
A renovação de contrato dada a ele foi o atestado de que o front office não tinha um plano B, preferindo manter um jogador medíocre a buscar talento no mercado ou via Draft.
Kevin Dotson (Pick 135 – 4ª rd 2020), é o caso que mais dói no torcedor, não pela falta de talento, mas pela má gestão da comissão técnica da época. Um talento bruto vindo de uma universidade menor, que demonstrou lampejos do potencial de ser um bom guard no início de sua carreira.
No entanto, sofrendo com lesões e a falta de uma cultura de desenvolvimento de jogadores de OL, ele se tornou um guard dominante em outra equipe após sair de Pittsburgh. Ele é a prova definitiva de que, no final da era Colbert, a equipe não sabia desenvolver o talento que ela mesma encontrava.
Dan Moore Jr. (Pick 128 – 4ª rd 2021), um jogador que jogou tempo demais por falta de concorrência real. Draftado como um projeto de rodada tardia, ele foi lançado aos leões como titular no LT sem estar pronto.
Durante todos os seus anos em Pittsburgh, ele sofreu, assim como o torcedor, contra praticamente qualquer pass rusher da NFL. A insistência em mantê-lo como titular absoluto por temporadas, em vez de buscar uma atualização agressiva, é um dos principais motivos pelos quais nosso ataque de 2021 a 2023 foi tão ineficiente.
Ele é um jogador com nível de rotação, que foi titular absoluto da equipe, de 2021 a 2024, sendo classificado pelos sites de análise como um dos piores jogadores da posição, tanto em faltas como em sacks cedidos e nunca sequer houve disputa dele com outro jogador pela posição.
O Fetiche pelo Scouting Arcaico e o Desastre Devin Bush:

A agressividade de Kevin Colbert no Draft de 2019 para buscar Devin Bush foi o estopim de uma espiral de arrogância que custou caro à franquia, hipotecando escolhas e subindo ao top 10 do draft, por um Linebacker que, na prática, tinha o instinto de um GPS quebrado.
Colbert ficou cego pelo pedigree atlético e ignorou o que os olhos teimavam em mostrar, um jogador que, mesmo antes da lesão que mudou sua carreira, carecia da inteligência tática necessária para comandar o centro da defesa do Steelers.
O Pittsburgh Steelers foi moldado sobre defesas com diagnóstico rápido, preciso, agressividade e o domínio absoluto dos jogadores de defesa, mas Devin Bush entregou hesitação, falta de leitura em jogadas, e um medo de encarar contatos físicos ao tacklear adversários.
O fiasco de Bush foi apenas a ponta do iceberg de uma cultura de vestiário que começou a se degradar sob o olhar complacente de Colbert. Veja o caso de Chase Claypool, draftado em 2020 como um espécime físico, mas com a maturidade emocional de uma criança.
A incapacidade de Colbert em filtrar o caráter e a ética de trabalho dos jogadores resultou em um ambiente onde vídeos de TikTok se tornaram mais frequentes do que conversões cruciais de terceira descida.
Ele permitiu que o foco e a disciplina, pilares da era Rooney, fossem substituídos por um estrelismo vazio, transformando o vestiário em um palco de distrações.
A escolha de Terrell Edmunds na primeira rodada de 2018, por exemplo, foi um exemplo clássico de buscar um jogador que ninguém mais valorizava naquele patamar, resultando em um titular que, embora resistente, nunca trouxe o impacto esperado de um atleta de primeira rodada.
Da mesma forma, nomes como Artie Burns e o desastroso Jarvis Jones, anos antes, serviram como alertas que Colbert decidiu ignorar, preferindo confiar no seu instinto arcaico, desprezando as métricas de performance e os dados que já ditavam o rumo da NFL moderna.
Ele se tornou prisioneiro de seus próprios erros, insistindo em “projetos” como Justin Layne (Pick 83 – 2019) e DeMarvin Leal (Pick 84 – 2022), que consumiram capital de Draft enquanto o elenco titular envelhecia e perdia a capacidade de competir com as potências da AFC.
O Golpe de Misericórdia, Kenny Pickett:

A tentativa de Colbert de se tornar o “salvador” da pátria, foi o golpe de misericórdia de sua gestão com a escolha de Kenny Pickett na primeira rodada de 2022.
Ao ignorar as limitações físicas e a idade avançada de Pickett para o padrão de um rookie, um jogador que chegou à liga com 24 anos após uma carreira universitária longa e evolução muito tardia, Colbert buscou um final feliz de conto de fadas para sua aposentadoria, forçando um encaixe que nunca existiu.
Ele não buscou a construção do futuro do Steelers, ele queria validar sua própria história como GM do Steelers!
A tragédia de Pickett não foi apenas a falta de braço ou a incapacidade de processar o campo na velocidade da NFL, foi terem, literalmente, soltado um cavalo no meio do escuro, sem lhe dar nenhuma direção
Colbert o draftou para um ataque que era um deserto de criatividade, sob o comando de um staff ofensivo estagnado e sem qualquer modernização tática, o famoso esquema de Matt Canada que funcionava como uma âncora no pé do desenvolvimento do QB. Enquanto o resto da liga investia em modernização e ataques que maximizavam a eficiência do QB, Colbert entregou a Pickett um sistema arcaico, previsível e incapaz de gerar separação para seus recebedores.
Ele jogou um calouro sem teto de crescimento em um ambiente de negligência estrutural, onde a linha ofensiva era montada com remendos e a filosofia de jogo parecia ter parado nos anos 90.
Pickett nunca teve a chance de evoluir porque o terreno ao seu redor estava minado pela própria complacência da diretoria.
‘’Resultado’’: uma sucessão de erros que deixou Omar Khan com a difícil missão de limpar um vestiário cheio de egos, reconstruir uma linha ofensiva que se tornou um retalho de apostas fracassadas e encontrar um QB que, de fato, pudesse liderar uma franquia histórica que ainda está presa ao modelo de jogo e de gerenciamento do início deste século.
A saída de Colbert não marcou o fim de uma era de ouro, mas o término de um período de estagnação que quase custou ao torcedor a própria identidade do time que ele ajudou a construir, mas que, ao fim, deixou o time à mercê da própria decadência.
Os remanescentes, Highsmith, Freiermuth e Mason Rudolph:

Alex Highsmith (pick 102 – 3ª rd 2020), talvez o único, dentro desse grupo, que realmente desafiou o declínio, draftado na 3ª rodada de 2020, ele não deveria ser o pilar que é hoje.
Ele se tornou um EDGE elite à base de desenvolvimento técnico puro, enquanto o time ao redor dele desmoronava, seu contrato assinado em 2023 (até 2027) é o que hoje mantém alguma sanidade na folha salarial de Omar Khan, permitindo que o GM foque em outras necessidades.
Ele sobrevive ao moedor de carne das classes de Kevin Colbert, porque é um grande profissional, mas além de tudo, mostrando que o scouting de Colbert ainda tinha lampejos de genialidade, mesmo quando a estrutura geral já estava em decadência.
Pat Freiermuth (pick 55 – 2ª rd 2021), o símbolo da frustração ofensiva pós-Big Ben Roethlisberger. Ele tem talento, mãos seguras e inteligência de jogo, mas passou anos sendo subutilizado nos sistemas ofensivos montados pelo Steelers.
O fato de ele ter renovado seu contrato e hoje ser considerado “intocável” pelo front office em meio a tantas especulações de troca mostra que a nova comissão técnica, sob Mike McCarthy, talvez tenha identificado seu potencial. Pat sobreviveu porque é bom demais para ser descartado, mesmo tendo sido submetido a anos de mediocridade tática.
Mason Rudolph (pick 76 – 2ª rd 2018), Colbert o draftou em 2018 como um projeto, depois tentou buscar o sucessor em Pickett, e hoje Rudolph serve apenas como uma “bengala” de experiência para um elenco que não sabe quem será o titular.
Ele é o lembrete vivo da indecisão: um veterano que conhece o prédio, conhece a cultura, mas que, na prática, nunca foi a resposta para a pergunta que importava.
A herança (ou não) deixada por Kevin Colbert das classes de 2018 a 2022:
2018:
1ª Rodada (Pick 28): Terrell Edmunds (S) – Última equipe: Raiders 2025.
2ª Rodada (Pick 60): James Washington (WR) – Última equipe: Cowboys 2022.
3ª Rodada (Pick 76): Mason Rudolph (QB) – Permanece no Steelers.
3ª Rodada (Pick 92): Chukwuma Okorafor (OT) – Última equipe: Jets 2025.
5ª Rodada (Pick 148): Marcus Allen (S) – Última equipe: Steelers 2022.
5ª Rodada (Pick 165): Jaylen Samuels (RB) – Última equipe: Texans 2022.
7ª Rodada (Pick 246): Joshua Frazier (DL) – Cortado ainda em 2018.
2019:
1ª Rodada (Pick 10): Devin Bush (LB) – Última equipe: Bears 2026.
3ª Rodada (Pick 66): Diontae Johnson (WR) – Última equipe: Texans 2024.
3ª Rodada (Pick 83): Justin Layne (DB) – Última equipe: Bears 2022.
4ª Rodada (Pick 122): Benny Snell Jr. (RB) – Última equipe: Steelers 2022.
5ª Rodada (Pick 141): Zach Gentry (TE) – Última Equipe: Raiders 2023.
6ª Rodada (Pick 175): Sutton Smith (LB) – Última Equipe: Raiders 2021.
6ª Rodada (Pick 192): Isaiah Buggs (DT) – Última Equipe: Lions 2023.
6ª Rodada (Pick 207): Ulysees Gilbert (LB) – Última Equipe: Buccaneers 2022.
7ª Rodada (Pick 219): Derwin Gray (OL) – Última Equipe: Steelers 2020.
2020:
2ª Rodada (Pick 49): Chase Claypool (WR) – Última Equipe: Dolphins 2023.
3ª Rodada (Pick 102): Alex Highsmith (LB) – Permanece no Steelers.
4ª Rodada (Pick 124): Anthony McFarland Jr. (RB) – Última Equipe: Steelers 2023.
4ª Rodada (Pick 135): Kevin Dotson (OL) – Última Equipe: Rams 2026.
6ª Rodada (Pick 198): Antoine Brooks Jr. (S) – Última Equipe: Rams 2021
7ª Rodada (Pick 232): Carlos Davis (DT) – Última Equipe: Steelers 2022.
2021:
1ª Rodada (Pick 24): Najee Harris (RB) – Última Equipe: Chargers 2025
2ª Rodada (Pick 55): Pat Freiermuth (TE) – Permanece no Steelers
3ª Rodada (Pick 87): Kendrick Green (OL) – Última Equipe: Browns 2025.
4ª Rodada (Pick 128): Dan Moore Jr. (OT) – Última Equipe: Titans 2026.
4ª Rodada (Pick 140): Buddy Johnson (LB) – Última Equipe: Cowboys 2025.
5ª Rodada (Pick 156): Isaiahh Loudermilk (DE) – Última Equipe: Steelers 2025.
6ª Rodada (Pick 216): Quincy Roche (LB) – Última Equipe: Giants 2022.
7ª Rodada (Pick 245): Tre Norwood (S) – Última Equipe: Steelers 2022.
7ª Rodada (Pick 254): Pressley Harvin III (P) – Última Equipe: Steelers 2023.
2022:
1ª Rodada (Pick 20): Kenny Pickett (QB) – Última Equipe: Panthers 2026.
2ª Rodada (Pick 52): George Pickens (WR) – Última Equipe: Cowboys 2026.
3ª Rodada (Pick 84): DeMarvin Leal (DE) – Última Equipe: Steelers 2026.
4ª Rodada (Pick 138): Calvin Austin III (WR) – Última Equipe: Giants 2026.
6ª Rodada (Pick 208): Connor Heyward (TE/FB) – Última Equipe: Raiders 2026.
7ª Rodada (Pick 225): Mark Robinson (LB) – Última Equipe: Steelers 2025.
7ª Rodada (Pick 241): Chris Oladokun (QB) – Última Equipe: Chiefs 2025.






